Decididamente, não dá pra ignorar o menor dos sinais.
Algumas semanas atrás minha mãe amanheceu com uma vermelhidão nos olhos, com bastante secreção nos cantos. Como a nossa empregada havia passado por uma conjutivite alguns dias antes, o diagnóstico foi batata.
Assim, minha irmã levou minha mãe até o seu oftalmologista que foi categórico:
- Não há nada de anormal, é apenas uma pequena irritação...
E assim, voltamos a nossa vidinha normal, esperando que os olhos da velhinha melhorassem. Passaram-se um dia, passaram-se dois, três, uma semana e os olhos continuavam vermelhos e com muita secreção. Um deles ela chegou até a machucar de tanto que o coçou!
O sinal de alerta ligou quando ela começou a convulsionar.
"Não é possível que seja por causa da vista, ela deve estar com alguma infecção", pensamos todos. Ligamos para a Dra. Célia, que pediu quilos de exames que, como sempre, retornaram melhores que o meu. Nenhuma infecção, tudo absolutamente normal do ponto de vista clínico.
Como a única explicação plausível para as sucessivas convulsões era a vermelhidão nos olhos, resolvemos passar minha mãe com a sua oftamologista de muitos anos, a qual não levamos da primeira vez por problemas logísticos, digamos assim.
No minuto em que ela bateu o olho, afirmou:
- Ela está com uma blefarite, uma infecção nos olhos.
Alguns exames depois, saímos de lá com uma prescrição de um colírio antibiótico e a recomendação de que ela deveria começar a melhorar dentro de 12 horas e que, se não houvesse progresso em 48 horas, devíamos ligar para ela.
E não é que no dia seguinte sua vista estava bem melhor ? As pálpebras, tão vermelhas na noite anterior, agora estavam rosadas. Pouquíssima secreção era notada e, o melhor de tudo, não convulsionara como na noite anterior....
Só que agora, quase uma semana depois da consulta, sua infecção dá sinais de retomada. Os olhos estão vermelhos novamente e ela voltou a convulsionar.
Estamos agora tentando falar com a oftamologista para tentar um novo medicamento, mas o que mais nos assombra é que, realmente, não podemos relevar absolutamente nenhuma condição, por menor que pareça.
Domingo, 5 de Julho de 2009
Zóinhos
Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Um sinal de vida
Esta é aquela típica postagem cara-de-pau de quem larga o blog à sua própria sorte: dado o número de leitores que tem me escrito perguntando o porque não tenho escrito mais, resolvi que era hora de aparecer e mandar um sinal de que ainda estou vivo.
Os últimos quatro meses se revelaram um martírio profissional: clientes novos, sistemas novos, legislação nova, programador velho...
Para não enrolar muito e repetir aquela velha fita que vocês conhecem, tudo se resume a trabalho de mais e descanso de menos.
Já a nossa velhinha querida tem se mantido numa certa estabilidade: o Alzheimer não progrediu aparentemente e criamos uma certa rotina aqui em casa, encaixando os horários de todos para que pudéssemos manter uma razoável normalidade em nossa vida pessoal (se é que isso é possível), sem deixar de lado os cuidados com a atentada que ronca ao meu lado neste exato momento.
Na prática isso significa que ela alterna altos e baixos: em determinados momentos do dia está feliz, em outros começa a chorar; ora articula frases com uma desenvoltura de deixar o ghost writer do Obama morrendo de inveja; algumas vezes está tão nervosa que quer descer o cacete em todo mundo para logo em seguida acomodar-se confortavelmente em meu colo para que ela seja embalada até minha perna adormecer.
E assim vamos passando os nossos dias. Em alguns momentos lembro-me do Peter Parker dizendo "minha história não é para os fracos de coração" no começo de O Homem Aranha, tal é o número de situações insólitas que nos pegamos passando; entretanto, a certeza de que estamos no caminho certo que vem quando pegamos a minha mãe cantando a plenos pulmões, como ontem à noite, recompensa todos os sacrifícios enfrentados.
Espero que a próxima postagem seja mais breve! Podem continuar mandando e-mails, apesar de demorar um pouco às vezes, sempre respondo suas mensagens!
Segunda-feira, 30 de Março de 2009
Exame pode detectar Alzheimer antes dos primeiros sintomas
Saiu na Folha de São Paulo da semana passada:
Exame pode detectar Alzheimer antes dos primeiros sintomas
Um estudo da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, publicado em edição on-line do "Annals of Neurology", demonstra resultados promissores de um teste que detecta a presença de biomarcadores no liquor (líquido da medula espinhal) para detectar precocemente a doença de Alzheimer, antes de os primeiros sintomas se manifestarem.
Os pesquisadores avaliaram a presença das proteínas beta-amiloide 42 e tau (indicadores da doença) em amostras do liquor de 410 pacientes de um programa de pesquisa sobre Alzheimer, de 52 pessoas com características cognitivas normais e de outras 56 pessoas com diagnóstico de Alzheimer confirmado na autópsia.
Segundo a pesquisa, a precisão do exame chegou a 87% em geral e a até 96,4% na análise da presença de beta-amiloide naqueles que tiveram a confirmação da doença por autópsia. Além disso, o teste teve eficácia de 81% para avaliar as chances de um déficit cognitivo leve evoluir para doença de Alzheimer, valores considerados satisfatórios pelos pesquisadores.
Trabalhos de avaliação desse tipo de teste são realizados há alguns anos, mas ainda mostram deficiências em alguns casos específicos.
"Em resumo, a proposta é atraente, mas não se pode causar alarde, porque são marcadores em testes", afirma a patologista Lea Grinberg, coordenadora do Banco de Cérebros da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo -o maior do mundo.
A relevância do estudo da Pensilvânia está no número de pacientes e na variedade da amostra -como foram avaliadas pessoas de 56 partes dos EUA e do Canadá, o trabalho contempla várias etnias. Essas características são importantes para ajudar a validar um método para diagnóstico.
Outros estudos
No Brasil, grupos de pesquisa também estudam a presença de marcadores para o diagnóstico precoce da doença, como o do neurologista Paulo Caramelli, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Ele acredita que os estudos avançam, mas que ainda exigem mais comprovação. "A grande dúvida é sobre qual será o documento-fonte [desse tipo de teste]: podemos usar o liquor, feito por um exame invasivo, o sangue ou uma imagem que detecta a proteína beta-amiloide no cérebro da pessoa viva", explica. Também estão sendo desenvolvidos testes de memória específicos e outros estudos que trabalham com imagens cerebrais.
Hoje, a forma mais precisa de atestar a doença é por autópsia. No paciente vivo, é possível detectá-la com alguns testes clínicos e de imagem. "Entretanto, só 70% desses diagnósticos são confirmados na autópsia. Ademais, esse diagnóstico em vida só é feito quando a doença está mais avançada. No início, é difícil saber", afirma Grinberg.
O resultado chega tarde, quando o indivíduo já manifesta prejuízo no desempenho das funções do dia a dia, como vestir-se, banhar-se, administrar o dinheiro e tomar medicação.
Um biomarcador que possa ser dosado no sangue ou no liquor ou em um exame de imagem favorecerá um diagnóstico precoce da doença, preservando as capacidades cognitivas do paciente.
"Além disso, seria imprescindível para a realização de estudos de melhor qualidade para testar a eficácia de drogas e estratégias terapêuticas para a doença", completa o geriatra José Marcelo Farfel, responsável pelo setor clínico do Banco de Cérebros da USP.






