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sábado, 12 de dezembro de 2009

E a vida vai passando

Olá pessoal!

Há muito tempo não compartilhava minhas idéias e opiniões com vocês, embora não tenha sido por a falta de assunto - muito pelo contrário - que me impediu de postar nos últimos meses.

Aparentemente o destino achou que minha vidinha estava tranquila demais e resolveu dar uma chacoalhada das boas, uma daquela que eu não levava desde que andei no La Bamba na chuva em meados de 1994. (Os paulistanos e moradores do ABC paulista com mais de 30 anos vão se lembrar disso com certeza).

Quarta-feira, 9 de setembro último. Neste dia eu recebi a pior notícia de toda a minha vida: meu sócio, meu amigo de mais de 15 anos, um homem que foi meu segundo pai - que por muitas vezes foi mais importante em minha vida do que meu pai verdadeiro - falecera, vítima das complicações decorrentes de uma cirurgia para retirada de grande parte do intestino. Cirurgia esta que só foi necessária, vejam bem a ironia, porque o hospital em que ele foi levado quando começou a passar mal, 3 dias antes, diagnosticou o que era uma trombose mesentérica como uma "virose passageira". Este hospital, senhoras e senhores, é o mesmíssimo em que aquela fratura do trocânter da minha mãe foi diagnosticada como uma "mera contusão muscular".

Domingo, 12 de setembro último. Eu ainda estava em estado de choque pela morte do Manoel quando eu vivenciei na prática o ditado que diz "não há nada que não esteja tão ruim que não possa piorar". Minha mãe, ao sair do banho, caíra no chão. Correria, dor, choro, gritaria, tudo aquilo pelo qual eu tinha passado duas vezes em dois anos estava acontecendo novamente, quase um ano após a última ocorrência.

Desta vez, escolado pelo sofrimento das anteriores, não perdi tempo: liguei para uma ambulância particular e pedimos para que minha mãe fosse levada ao IFOR, um hospital especializado em ortopedia. Uma vez lá, minha mãe foi rapidamente atendida; em menos de uma hora ela havia radiografado, os especialistas haviam se reunido e dado o veredicto: fratura da cabeça do fêmur.

Sim, o pior havia acontecido: ela fraturou de fora à fora a cabeça do fêmur e só uma cirurgia de emergência poderia salvar a minha mãe.

Lá no hospital aprendi algo que em minha vã ignorânica eu jamais iria imaginar: que uma fratura de fêmur não tratada é fatal. Pelo que os médicos me explicaram, uma pessoa com o fêmur fraturado perde cerca de 1 litro de sangue no trauma; além disso há um risco gigantesco da pessoa sofrer um trombose, seja por um coágulo de sangue, seja por um trombo de gordura liberado pela região fraturada, que pode chegar rapidamente ao coração e causar uma parada cardíaca.

Só que nem tudo foram flores: apesar da insistência dos ortopedistas em operá-la no mesmo dia, os clínicos e cardiologistas não autorizaram a cirurgia pois minha mãe chegou convulsionando no hospital (coisa que, para quem conhece minha mãe e sua história, era óbvia que iria acontecer). Assim, ela ficou internada por 3 dias, até...

Terça-feira, 15 de setembro último. Finalmente ela foi liberada para a cirurgia. Eu e minha irmã corremos pro hospital e nos apegamos a tudo que é santo, mandinga e reza: havia o pavor de alguma coisa dar incrivelmente errado durante a anestesia e a cirurgia, além do temor de não saber como ela iria voltar depois disso tudo. O doutor Thiago sempre foi categórico com relação às anestesias e ao efeito nocivo delas a um portador de DA, mas neste caso não tínhamos alternativa alguma.

cerca de 2 horas depois fomos recebê-la na saída do centro cirúrgico. Para nosso espanto ela estava acordada, sorridente e BEIJANDO a gente! De fato há coisas que nem a faca é capaz de tirar dela, que havia acabado de ganhar o "adamantium" que faltava pra casar com seu fator de cura: presentão do hospital, ela agora tem uma haste de titânio dentro do fêmur esquerdo, um "amortecedor" e 4 parafusos. Também ganhou três cicatrizes horríveis que fizeram a médica do home care afirmar "Nooossa! Ainda bem que ela não vai mais precisar sair na rua de minissaia..."

Uma noite de UTI, volta a velhinha para o quarto onde passou mais uma semana internada, tempo esse onde foi espetada, puxada e virada de todos os meios possíveis. Felizmente ela foi se recuperando aos poucos, manteve o bom humor durante todo o período de internação, não perdeu o apetite e com apenas uma semana já conseguia apoiar os pés no chão.

E assim se passaram os últimos três meses; o home care voltou para casa, minha mãe começou a fazer fisioterapia diariamente mas o alzheimer cobrou seu preço: ela agora sofre de uma incontinência urinária casual (ao menos não é tão frequente que tenhamos que deixá-la de fraldas), só consegue andar poucos metros e com apoio de pelo menos duas pessoas, a compreensão foi afetada mais um tantinho e ela perdeu o ímpeto que tinha de querer "trabalhar". Agora, não tenta mais fugir da cama à noite e não fica no senta-levanta-senta-levanta que tanto caracterizou-a pelo último ano.

Quanto a mim, aos pouquinhos vou colocando minha vida nos eixos: depois de dois meses terríveis no trabalho, eu e o Leandro, meu sócio restante, vamos organizando os negócios e tocando a empresa; Os três quilos que eu perdi e a forma que tinha recuperado e me feito voltar a utilizar calças dois números abaixo foram pro vinagre depois que parei a academia e tenho a sensação que me roubaram três meses da minha vida, já que já é quase natal e eu mal tinha saido do feriado da independência...

Vamos levando, como sempre, mas o gosto amargo de ver minha mãe cada vez mais consumida pela doença vai se tornando mais forte. Neste sentido, a matéria da record foi um verdadeiro choque, vendo o quão boa minha mãe estava há apenas um ano e meio.

Por isso, cuidem bem dos seus velhinhos e aproveitem sempre o dia de hoje, o presente, já que ao destino pertence nosso futuro.
















sábado, 7 de novembro de 2009

E a matéria saiu da geladeira

Há mais de um ano, gravamos aqui em casa uma matéria para o Jornal da Record, a qual deveria ter sido exibida no dia seguinte.

Passou o dia seguinte, depois o outro, depois uma semana, um mês, um ano... o tempo foi passando e eu nem me lembrava mais da gravação.

Até que hoje à noite, minha noiva me ligou:

- Você está na Record!

Enfim, quase um ano e meio depois, a matéria sobre Alzheimer foi ao ar:


terça-feira, 25 de agosto de 2009

The Alzheimer's Project, o episódio final

A falta de tempo e o trabalho em excesso nas últimas duas semanas me impediram de postar uma resenha ou mesmo a sinopse do último capítulo de The Alzheimer's Project. No entanto, hoje às 22:00 irá ao ar "Caregivers", a última parte da minissérie da HBO, algo que não poderia passar batido por este blog.

Especialmente porque este episódio é inteiramente dedicado à nois, cuidadores.

Sinopse do episódio de hoje: "Caregivers":


Atualmente, 10 milhões de norte-americanos com o Mal de Alzheimer ou outras doenças degenerativas representam 8,4 bilhões de horas de tratamento para o Estado.

Cerca de 70% das pessoas com Alzheimer estão em casa, cuidados por parentes ou amigos. O Mal de Alzheimer provoca danos físicos e emocionais não só para os pacientes, mas também para os profissionais de saúde que cuidam deles.

“Caregivers” é uma seleção de cinco quadros que mostram os sacrifícios e as vitórias de pessoas que acompanham o caminho que seus seres queridos percorrem rumo à demência.